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Soneto do desmantelo azul

 

Então pintei de azul os meus sapatos

por não poder de azul pintar as ruas,

depois, vesti meus gestos insensatos

e colori as minhas mãos e as tuas.


Para extinguir em nós o azul ausente

e aprisionar o azul nas coisas gratas,

enfim, nós derramamos simplesmente

azul sobre os vestidos e as gravatas.


E afogados em nós nem nos lembramos

que no excesso que havia em nosso espaço

pudesse haver de azul também cansaço.


E perdido de azul nos contemplamos

e vimos que entre nós nascia um sul

vertiginosamente azul. Azul.

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